"Investir em imóvel é coisa de gente rica." A frase é comum, principalmente entre mulheres que têm uma reserva guardada e nunca se imaginaram investidoras.
A realidade é menos glamourosa e mais animadora. Muita gente começa com um apartamento compacto, comprado na planta, com a entrada parcelada durante a obra. Não é mágica, e também tem risco. Mas é um caminho que dá para entender.
Antes do imóvel, o objetivo
A primeira pergunta que eu faço não é "quanto você tem", é "o que você quer com isso". As respostas costumam cair em três grupos:
- Renda mensal com aluguel. Você quer que o imóvel pague uma parte das contas.
- Patrimônio de longo prazo. A ideia é segurar o imóvel por muitos anos, talvez para os filhos.
- Revenda. Comprar em um momento, vender em outro.
Cada objetivo leva a um tipo de imóvel diferente, a uma região diferente e a uma forma de pagamento diferente. Um studio perto de universidade pode ser bom para aluguel e ruim para quem pensa em morar ali um dia com a família.
Como um imóvel pode dar retorno
Existem basicamente dois caminhos, que às vezes andam juntos.
O aluguel. Tradicional, por temporada ou para estudantes e profissionais que estão de passagem. O que sobra depois de condomínio, IPTU, manutenção, meses vagos e imposto de renda é o seu retorno real. Faça a conta com esses descontos, nunca com o valor cheio.
A diferença entre compra e venda. Um imóvel pode valer mais no futuro do que você pagou, por causa da região, da demanda ou da inflação. Pode. Não é garantido. O histórico de bairros e de empreendimentos parecidos ajuda a entender o contexto, mas histórico não é promessa, e o resultado de um prédio não vale como previsão para outro.
O mercado de Goiânia hoje
Goiânia tem um mercado de lançamentos movimentado. Segundo pesquisa da Brain Inteligência Estratégica divulgada pela ADEMI-GO em fevereiro de 2025, a cidade foi o terceiro maior mercado imobiliário do país em venda de apartamentos em 2024, com 11.797 unidades comercializadas.
Número grande não é motivo para comprar qualquer coisa. Mostra que existe gente construindo, vendendo e comprando por aqui. Também significa mais oferta concorrendo com o seu imóvel na hora de alugar ou vender.
Os riscos que ninguém deveria esconder
- Liquidez. Imóvel não vira dinheiro em um dia. Se você pode precisar da reserva de repente, não coloque tudo em um apartamento.
- Vacância. Um mês sem inquilino é um mês pagando condomínio sozinha.
- Obra. Em lançamento, há o risco de atraso. Por isso o histórico da construtora pesa tanto.
- Correção durante a obra. As parcelas costumam subir pelo INCC. A conta precisa incluir isso.
- Custos de entrada. ITBI, cartório e registro somam um valor que muita gente esquece. Eu explico cada um neste guia de custos.
O primeiro passo prático
Não é escolher o apartamento. É olhar para as suas contas com calma:
- Quanto você tem guardado e quanto disso pode ficar parado por alguns anos?
- Quanto cabe por mês sem apertar a vida?
- Sua renda aprovaria um financiamento lá na frente, quando a obra terminar? Quem responde é o banco, na simulação.
- Qual é o seu objetivo: renda, patrimônio ou revenda?
Com essas quatro respostas, dá para comparar opções que fazem sentido de verdade, e também reconhecer com honestidade quando ainda não é o momento. Se o seu caminho passa por imóvel compacto, veja o que analisar antes de comprar um studio. Se a dúvida é entre obra e imóvel entregue, compare lançamento e imóvel pronto.
Se você se reconheceu na frase do começo, me manda uma mensagem. A gente faz essa conta juntas.
Este conteúdo é educativo e não é recomendação de investimento. Rentabilidade passada não garante resultado futuro. Cada decisão depende da sua situação financeira.